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HERANÇA ESCRAVOCRATA | Alicerces e artefatos de uma loja de comércio de escravos foram descobertos no Rio

Escavações realizadas durante a construção do VLT no RJ levaram a descoberta dos alicerces de uma loja de comércio de escravos, localizada na antiga Rua dos Ourives (atual Miguel Couto).

quinta-feira 9 de agosto de 2018 | Edição do dia

No Rio de Janeiro, arqueólogos contratados pelo consórcio de construção do Veículo Leve de Transporte para realizar sondagens na região da Avenida Marechal Floriano encontraram na atual Rua Miguel Couto os alicerces de uma antiga loja de comércio de escravos, como evidencia outro achado, uma bola de ferro, semelhante às colocadas nas pernas de escravos para evitar fugas.

A descoberta é uma prova material da existência de um mercado de compra e venda de escravos no local, anterior à instalação do Cais do Valongo, região onde os africanos também eram comercializados.

Além dos achados nas escavações, outras evidências usadas pelos arqueólogos para a comprovação da descoberta são anúncios de jornal, datados de 1863, em que é mencionada a Rua dos Ourives (atual rua Miguel Couto) como local de venda de escravos.

Em tempos de negação do passado, da dívida histórica de nossa sociedade com os negros - como dito pelo candidato Bolsonaro na sua entrevista ao programa Roda Viva - comprovações materiais como essa tornam indiscutível o tráfico de negros promovido pelos portugueses e todo o lucrativo mercado que se orientava em torno de sua venda.

A escravidão como demonstração de um dos mais terríveis episódios da exploração capitalista durante seu processo de acumulação primitiva precisa ser encarada defronte, e não relegada ao passado como uma herança superada. Em nosso país, especialmente, ainda é necessário que se desenterre muitos dos registros dessa tenebrosa história.




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