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Eleições | “Construir mais presídios” não é o caminho para derrotar o bolsonarismo e a extrema-direita

Em debate da Band, onde Bolsonaro destilou racismo e preconceito contra moradores da favela, o tema do encarceramento ganhou destaque. Para responder a uma fake news bolsonarista, Lula reivindicou ter criado cinco presídios de segurança máxima em seu governo. Num país de violência carcerária exorbitante, com índices de encarceramento em massa equiparáveis somente aos EUA ou Rússia, construir mais presídios e reivindicar esse sistema carcerário racista definitivamente não é o caminho para se derrotar o bolsonarismo e a extrema-direita racista que se alimentam justamente dessa situação.

sábado 22 de outubro de 2022 | Edição do dia

Imagem: Reprodução/TvBand

Bolsonaro no último debate eleitoral na Band não poupou sua misoginia, xenofobia e racismo ao dizer que na passeata de Lula, no Complexo Alemão no Rio, “não tinha um policial, só traficante”. Para Bolsonaro, pobre e morador da favela é tudo traficante. Sem contar as mentiras sobre a fome e a condição de vida dos trabalhadores, para Bolsonaro parece que vivemos num país sem violência policial e miséria que ataca em cheio a população trabalhadora, pobre e negra, sobretudo, nas favelas, periferias e palafitas no Brasil.

Bolsonaro é um racista declarado, inimigo da população pobre e negra brasileira, mas isso não é algo que surgiu no último debate, vem muito antes. Basta ver que na chacina do Jacarezinho não demorou para parabenizar e defender a polícia civil que assassinou 27 pessoas. Na última chacina no próprio Complexo do Alemão, Bolsonaro desdenhou do assassinato de 19 pessoas, entre elas mulheres trabalhadoras, dizendo em entrevista: “Você que se solidarize com essas pessoas, tá ok? Se eu for ligar para todo mundo que morre todo dia, eu tô..."

Não há dúvidas que Bolsonaro e sua base de extrema-direita odeiam os negros e trabalhadores, isso fica bem explícito seu racismo quando incentiva a repressão nas favelas e as chacinas. O caso do assassinato brutal e covarde de Genivaldo pela polícia rodoviária federal são expressão disso, inclusive o próprio Bolsonaro chegou a chamar Genivaldo de "marginal" e que a PRF fez um "trabalho excepcional"

No entanto, nesse mesmo debate, quando Bolsonaro questionou Lula sobre uma suposta relação/favorecimento do traficante Marcola quando Alckmin era governador e Lula presidente, ele respondeu dizendo que construiu 5 presídios de segurança máxima, quatro a mais que Bolsonaro. Como quem diz, “se tem uma pessoa que combateu o crime organizado foi eu”. 4 deles foram inaugurados durante o governo Lula e outro no governo do golpista Michel Temer tendo suas obras iniciadas no governo Dilma.

Por trás desse entusiasmo todo de Lula ao reivindicar o sistema prisional brasileiro, está o encarceramento em massa da juventude negra que aumentou consideravelmente durante os anos de governo do PT, bem como o encarceramento feminino. Além é claro, do recrudescimento da violência policial e a repressão nas favelas.

De 2000 a 2012, por exemplo, o número de mulheres encarceradas triplicou. Nem precisa dizer que esse aumento absurdo se deu em meio a precarização da vida dessas mulheres que nem sequer têm acesso a absorventes e direito à maternidade, sendo a grande maioria delas negras. O Brasil tem hoje a infeliz posição de 5º país com maior população carcerária feminina do mundo.

Desse mesmo ano até 2020 a população carcerária triplicou, sendo que 39,4% dessas prisões por tráfico de drogas e indução ao uso de drogas, ou seja, esse aumento também é resultado da política de “guerra às drogas” que tem como alvo a juventude negra e os trabalhadores. Segundo os dados do Infopen, o Sistema de Informações do Sistema Penitenciário, em 2021 mais de 770 mil pessoas presas no Brasil não foram julgadas, 64% são negras e 70% são mães.

Não pode ser que em um debate eleitoral frente a um presidente reconhecidamente racista e inimigo da classe trabalhadora, Lula se orgulhe em ter construído 5 presídios de segurança máxima que contribui com o aumento absurdo do encarceramento da juventude e de mulheres no Brasil. Mas não só isso, fortaleceu o judiciário e seu caráter racista e classista que mantém milhares de trabalhadores presos injustamente e sem julgamento. Nem falar o aumento da violência policial que o PT contribuiu também diretamente apoiando as UPPs no Rio de Janeiro e a intervenção militar no Complexo do Alemão no governo Dilma. Foi nos governos do PT que o exército brasileiro dirigido por Augusto Heleno, hoje chefe do GSI de Bolsonaro invadiu e reprimiu a população haitiana.

Mas não devemos também nos espantar “tanto” com essa declaração. Alckmin, por exemplo, já deu inúmeras provas de que é um grande inimigo da população negra, bastendo recorde de assassinato durante seu governo como denunciamos aqui.

A frente amplíssima que Lula e Alckmin estão construindo com apoio da Febraban, Fiesp, empresários e a fração democrata do imperialismo norte-americano mostram o tom de seu futuro governo caso vença Bolsonaro no 2º turno das eleições

Está mais que claro que não será se aliando com a direita que iremos derrotar o bolsonarismo, muito menos adotando um programa da direita como é do chapa Lula-Alckmin que não irá revogar as reformas e ataques. Muito menos reivindicando uma política nefasta da direita que só fez aumentar o encarceramento em massa no país que atinge diretamente a população negra e pobre. O bolsonarismo se alimenta todos os dias de preconceito contra pobres, negros e moradores de comunidades - e a saída que dão é a de mais encarceramento, mais presídios, mais polícia, mais repressão… reivindicar esse programa é o caminho para fortalecer o bolsonarismo, não derrotá-lo. A extrema-direita, as reformas e os ataques precisam ser derrotadas nas ruas, assim como demonstraram agora a pouco os estudantes que fizeram o governo Bolsonaro retroceder em um dos ataques às universidades e institutos federais.




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