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Manifestações | Milhares saem às ruas pelo país. Por uma paralisação nacional contra os golpistas e pela revogação das reformas

Em diversas capitais do país ocorreram atos em rechaço às ações golpistas. As direções majoritárias colocaram como eixo a "defesa da democracia", e muitos gritos de "sem anistia" apareceram nas manifestações. Mas somente a classe trabalhadora com independência de classe e com seus próprios métodos, como a paralisação e plano de luta, pode derrotar a extrema direita e dar uma saída de fundo para a crise com a revogação das reformas reacionárias e demais ataques.

terça-feira 10 de janeiro | Edição do dia

São Paulo foi a maior concentração, com cerca de 15 mil pessoas. Alguns milhares em Belo Horizonte, Porto Alegre e Rio de Janeiro. Além de concentrações em outras capitais, como Recife, Natal e Brasília.

Os principais convocantes dos atos foram as centrais sindicais, movimentos sociais, entidades sindicais e estudantis, PT e PCdoB, além de outros partidos da esquerda, como o PSOL, PCB, UP, PSTU e outros setores. Em algumas cidades também compuseram os atos partidos burgueses como o PV, REDE, PSB e PDT.

Os atos ocorreram um dia depois das ações golpistas da extrema direita. Como viemos fazendo através do Esquerda Diário, é fundamental rechaçar e combater frontalmente essas ações ultra reacionárias. Por isso estamos junto com todes, todas e todos que querem realmente enfrentar a extrema direita golpista que mostrou seus dentes ontem, e que buscaram expressar isso nos atos de hoje.

Mas a legítima vontade de enfrentar os golpistas que se expressou em setores amplos não pode ser respondida pela via das instituições desse regime politico, pelo judiciário e pela aparato repressivo do Estado. Estes estão atuando para aparecer como se defendessem a democracia, e assim canalizar essas demandas para uma legitimação do regime político, suas lideranças e instituições, mas são as mesmas instituições que deram o golpe institucional de 2016, e também aprovaram as reformas, privatizações e ataques reacionários. Alguns deles são parte do governo Lula, como Alckmin, Simone Tebet, José Mucio e a miliciana Daniela do Waguinho. A chamada unidade nacional, tão aclamada neste momento por setores da direita à esquerda institucional, impede de avançar na mobilização e unidade necessária, que é da classe trabalhadora, negros, mulheres, LGBT e indígenas, pois para isso é preciso um programa que comece pela revogação de todas as reformas reacionárias e em apoio às lutas como dos entregadores, que estão chamando paralisação para o dia 25.

O MRT publicou declaração, divulgada nas manifestações, defendendo que "Nosso mais enérgico repúdio a todas ações golpistas passa por definir a melhor estratégia para enfrentar o bolsonarismo, que precisa se dar com os métodos da classe trabalhadora e impulsionando uma Frente Única Operária, o que só pode se dar combinando com a luta pela revogação das reformas e em apoio às lutas em curso como a mobilização de entregadores do dia 25. Por isso é preciso que a CUT e as demais centrais sindicais rompam imediatamente sua paralisia e chamem uma paralisação nacional e um plano de luta e que a Federação Única dos Petroleiros organize suas bases contra as graves ameaças em refinarias, que devem ser enfrentadas com organização dos petroleiros desde a base. “Sem anistia” a Bolsonaro e toda sua corja deve significar também a decisiva luta contra as reformas trabalhista, da previdência, lei da terceirização irrestrita e todas as privatizações, para unificar enormes contingentes da classe trabalhadora, como os entregadores que estão se mobilizando para uma dia nacional de paralisações no próximo dia 25, junto aos movimentos sociais, e reverter esse legado do golpe de 2016 e dos governos de Temer e Bolsonaro. A garantia de que não haja anistia só será possível com os métodos independentes de luta da classe trabalhadora. Por isso é absurda a política de setores do PT e dos próprios sindicatos de condenar a mobilização dos entregadores. Os que dizem que as mobilizações dos trabalhadores vão fortalecer a extrema-direita, são os que mais a fortalecem. Por isso queremos dialogar com todos os trabalhadores e jovens que queiram se mobilizar contra a extrema-direita mostrando que a saída não é a defesa da unidade nacional burguesa e seu recrudescimento autoritário com intervenção federal, e sim uma saída independente. É só com essa mobilização independente da classe trabalhadora, unificando jovens, mulheres, indígenas, negros e negras, LGBT’s que poderemos dar um basta nessas mobilizações reacionárias, que só servem para permanentemente manter vivo o projeto da extrema direita e sustentar um regime político altamente degradado que mantém os trabalhadores e o povo pobre na fome e no desemprego enquanto os empresários e o agronegócio lucram milhões. Este plano de luta precisa avançar por uma saída de fundo, que articule a batalha para que sejam os capitalistas que paguem pela crise, para impedir as ameaças golpistas da extrema direita, e lutar contra as opressões e em defesa do meio ambiente.”

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