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ELEIÇÃO SINTUSP | Por um sindicato classista , combativo e democrático que seja um ponto de apoio na luta da nossa classe de forma independente do governo eleito

Nos dias 29 e 30 de novembro ocorrerá a eleição para a nova diretoria colegiada do Sintusp, o Sindicato dos Trabalhadores da USP (gestão 2023-2025). Essa nova gestão será marcada pelo enfrentamento ao bolsonarismo que se mantém como uma força social institucionalizada com a eleição de senadores, deputados e governadores como Tarcísio, do REPUBLICANOS, mas também se mobilizando nas ruas. Isso significa que teremos como tarefa lutar de forma independente do novo governo eleito para reverter os ataques que a reitoria, os governos do PSDB em SP e Bolsonaro nacionalmente juntos aos patrões já descarregaram sobre a categoria e a classe trabalhadora nos últimos anos.

Adriano FavarinMembro do Conselho Diretor de Base do Sintusp

Babi DellatorreTrabalhadora do Hospital Universitário da USP, representante dos trabalhadores no Conselho Universitário

Patricia GalvãoTrabalhadora da USP e integrante da Secretaria de Mulheres do SINTUSP

Marcello Pablito Trabalhador da USP e membro da Secretaria de Negras, Negros e Combate ao Racismo do Sintusp.

sexta-feira 25 de novembro de 2022 | 21:18

Um dos mais combativos sindicatos do país, o Sintusp carrega em sua história ter surgido em meio a grande greve do funcionalismo público estadual que defendia a derrubada da Ditadura Militar em 1979. Ao longo dos seus 43 anos de existência foram inúmeras greves e importantes exemplos de combatividade e de classismo que certamente são parte do melhor de toda a longa história de batalhas da classe trabalhadora brasileira.Essa trajetória pode e deve servir como um ponto de apoio para a organização dos trabalhadores, estudantes e professores na USP, Unesp e Unicamp e das próximas lutas da classe trabalhadora, da juventude e de todos os oprimidos enfrentando o bolsonarismo, as reformas mas também um próximo governo Tarcísio em SP e de Lula-Alckmin nacionalmente extrapolando os limites impostos pelo controle das burocracias das grandes centrais sindicais.

Quando tratamos da Universidade de São Paulo, é preciso sabermos que estamos falando da mais importante universidade do país. Dalí saíram presidentes e importantes figuras políticas, projetos científicos e descobertas que revolucionaram a ciência, teses que continuam marcando a opinião pública e que se tornaram paradigmas para explicar a sociedade brasileira. Ao mesmo tempo é inegável que sob o capitalismo todas as pesquisas e a produção de conhecimento está subordinada e limitada aos interesses do lucro e das determinações do mercado e de costas para os interesses da grande maioria da população composta pelo povo trabalhador e pobre. Isso é inseparável do papel e da influência política e ideológica que a USP tem em toda a sociedade e que esta influência é colocada a serviço de defender o projeto de país e de mundo da classe dominante. Além disso, é fundamental ver que a construção de todo esse conhecimento só é possível graças a seus trabalhadores, docentes, técnicos administrativos e operacionais, efetivos e terceirizados. Mas na universidade também se expressam as contradições e conflitos do conjunto da sociedade e, dentro dela em vários momentos a própria juventude se transforma numa caixa de ressonância das lutas nacionalmente, sobretudo das lutas operárias e nas salas de aula e locais de trabalho inevitavelmente o Brasil profundo aparece mesmo que a contragosto de uma parte da própria intelectualidade
Dentro da própria universidade os trabalhadores efetivos e terceirizados também se organizam e lutam, tendo no seu sindicato, o Sintusp, como uma ferramenta muito importante mantendo viva e carregando essas experiências de luta e organização. que disputa contra a burguesia e seus governos os rumos da universidade. E a aliança operária-estudantil, através de históricas greves, serviram e servem de vitrine para a potencialidade da luta dos trabalhadores contra a exploração e a opressão.

Para os revolucionários a atuação nos sindicatos têm um papel fundamental como um meio privilegiado de ganhar influência real sobre o conjunto da a classe operária, sobretudo nos seus setores mais precários e oprimidos.. Pois, embora carregue a contradição de ser disciplinado pelo estado burguês através de regulamentações, contribuições compulsórias e limitado em sua atuação por categorias e datas-bases, é um instrumento de luta dos trabalhadores que, ao unificar uma categoria, possibilita ao trabalhador não se ver sozinho na luta por melhores condições de trabalho. Ao lutar junto aos seus companheiros por salários, fazendo greves e piquetes, é possível ao trabalhador entender que o inimigo da trincheira é o patrão que o explora, o governo que legaliza essa exploração. E, ao defender-se dos patrões contando com os seus irmãos de classe, seus pares, a consciência avança e possibilita conclusões mais profundas acerca do seu papel diante da sociedade capitalista. As greves, como colocava Lênin, são “escolas de guerra” que nos ajudam a nos preparar para a guerra real contra o sistema capitalista. Desde esse ponto de vista o Sintusp carrega uma importante trajetória de “escolas de guerra” forjando uma vanguarda temperada nas lutas e enfrentamentos, repressão estatal e defesa da educação e de todos os direitos da nossa classe. A burguesia usa diversas armas para disciplinar e conter os trabalhadores. A burocracia sindical é uma delas. A cooptação de pautas sensíveis aos oprimidos, a busca por limitar as demandas dos trabalhadores à apenas a luta pelo salário separando-a da luta política também são mecanismos burgueses que buscam disciplinar o movimento dos trabalhadores e os sindicatos.Aqui também são valiosas as lições que o Sintusp carrega como parte da sua história, preservando uma tradição de que as assembléias sejam os organismos de decisão soberanos.

O desafio de um sindicato como o SINTUSP num ano onde o governo estadual estará nas mãos de um bolsonarista como Tarcísio que nomeou como secretário da Educação o liberal Renato Feder, é enorme. A burocracia acadêmica da universidade buscou, no período eleitoral, alinhar-se com a frente ampla que apoiou a candidatura de Lula-Alckimin e Haddad para o estado, em oposição ao bolsonarismo. No entanto, é preciso ver com atenção que por trás do discurso de inclusão a nova gestão da reitoria vem aprofundando um projeto de universidade elitista e impondo diversos ataques aos estudantes, trabalhadores e professores. Embora tenham projetos distintos para a educação, é possível afirmar sem delongas que ambos partem de uma lógica privatista que submete a universidade, seus estudantes, sua pesquisa e seus trabalhadores aos interesses do mercado. Isso significa o avanço da terceirização, o fortalecimento das parcerias com empresas privadas e fundos patrimoniais, a submissão completa da pesquisa, extinção de setores de assistência social ao aluno, ataques à permanência estudantil, arrocho salarial, sobrecarga de trabalho e fechamento de postos.

Nesse sentido, o alerta que faz Trotski sobre a necessidade da luta dos trabalhadores se dar de forma independente do estado e, por consequência, dos patrões, se coloca com força nesse momento. Como combater o bolsonarismo, que hoje está em governos como o de São Paulo, em cargos do legislativo e organizações da extrema-direita? É alternativa para os trabalhadores aliar-se à FEBRABAN, FIESP, a Armínio Fraga, à Globo nesse combate? O STF que foi responsável pelas eleições manipuladas de 2018 que resultaram na ascensão de Bolsonaro e o Congresso, que votou ataques profundos aos trabalhadores, inclusive as medidas verde-amarelas propostas por Paulo Guedes, que fizeram retroceder conquistas de mais de 100 anos, podem dividir com a classe trabalhadora a trincheira da luta contra o avanço da extrema direita?

Posto dessa forma, é possível entender porque é preciso lutar para revogar todos os ataques de forma independente de um governo de frente ampla que conta com o apoio de diversos setores da patronal e do imperialismo estadunidense, cujo principal nome a frente do governo de transição é Geraldo Alckmin, inimigo da educação do estado de São Paulo. Na USP, a luta também exige ser de forma independente da reitoria que tem lançado medidas brutais de cooptação para mascarar ataques profundos à universidade.

Com discursos demagógicos que falam de inclusão, a permanência estudantil se mostra cada vez mais sob ataque. Falta água na moradia estudantil, faltam bolsas, professores, salas de aula. Falta transparência.

A “inclusão” para burocracia universitária exclui milhares de trabalhadoras negras que hoje trabalham para empresas terceirizadas, muitas sob o comando de membros dessa mesma burocracia, com salários baixíssimos, sem direito a usufruir da universidade. Sequer o ônibus circular interno da USP, do Busp, podem usar. O Hospital Universitário tem restringido cada dia mais o atendimento a comunidade USP e à população e agora o reitor busca comprar os trabalhadores com um bolsa saúde que na prática significa usar o dinheiro público para encher os bolsos dos convênios privados ao invés de investir no Hospital, nas UBAS e nos Centros de saúde escola contratando funcionários para ampliar o atendimento de saúde. A luta independente dos trabalhadores deve estar atenta aos discursos demagógicos e as tentativas de cooptação da reitoria.

O programa da chapa Sempre na Luta, composta por membros da atual direção do Sintusp, do Movimento Nossa Classe, impulsionado pelo MRT, e ativistas da categoria, reforça a necessidade de um sindicato classista e portanto, não corporativista, que veja que a necessária luta por melhores condições de trabalho precisa se somar à luta em defesa da universidade e da educação, com os trabalhadores tomando para si a luta em defesa do Hospital Universitário para que ele atenda a demanda por saúde da população do entorno, a luta em defesa das cotas raciais e pelo fim do vestibular para que os filhos da classe trabalhadora possam ter garantidos o direito de estudar, a luta pela estatização das universidades privadas, ou seja, a defesa das condições de trabalho da categoria precisa partir de entender que é preciso defender o direito da população ao que a universidade oferece, se colocando como porta-vozes das demandas mais elementares, como a saúde e educação.

Da superação do corporativismo depende também a luta das mulheres trabalhadoras, das negras e negros que hoje são maioria absoluta nos postos de trabalho mais precarizados, como as terceirizadas da limpeza, A luta contra o machismo, racismo e lgbtfobia precisa ser tomada pelos trabalhadores para fortalecer a unidade das nossas fileiras e assim golpear mais forte aqueles que nos atacam. Se a classe trabalhadora se abster dessa luta, Globo, Itaú, partidos burgueses e os empresários vão buscar todos os meios para cooptar a força dos oprimidos e nos dividir.

É nas lutas, construindo a mais forte unidade entre a classe trabalhadora, ampliando a democracia operária impulsionando a auto-organização, através de assembleias com microfones abertos, comando de greve com delegados eleitos, organizando os fóruns da categoria para garantir a participação que poderemos sair da passividade imposta pelas centrais sindicais burocráticas que, a serviço dos interesses capitalistas, tem sido o freio da nossa classe. O Sintusp como um sindicato combativo no seio da mais importante universidade do país pode continuar a ser exemplo ao movimento operário e fortalecer a luta contra o capitalismo e apontando um caminho de independência de classes e baseado na auto-organização e, assim ajudar a impulsionar as lutas do conjunto da nossa classe. O MRT e o Movimento Nossa classe, como parte de construir esse programa e fortalecer a unidade, coloca suas forças na tarefa de lutar contra todos os ataques de forma independente dos governos e do regime como parte inseparável da nossa luta pela destruição desse sistema baseado na miséria e na exploração que é o capitalismo e a batalha por uma nova sociedade, um governo dos próprios trabalhadores de ruptura com o capitalismo que abra passagem a construção de uma sociedade comunista.

Nos dias 29 e 30 de novembro apoie o Sintusp e vote na chapa Sempre na Luta: Lutadores (as) e Piqueteiros (as) - Por um Sintusp classista, combativo e democrático.

LEIA MAIS: Confira o programa da chapa Sempre na luta: Lutadores (as) e Piqueteiros (as) na íntegra




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