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Eleições RN | Veja 5 Motivos para não votar na extrema-direita do capitão Styvenson

Ítalo GimenesMestre em Ciências Sociais e Coordenador do CACS Marielle Franco da UFRN

Jojo de Paulaestudante de Design da UFRN e militante da Faísca

terça-feira 27 de setembro de 2022 | Edição do dia

Capitão Styvenson, do Podemos, atual senador do RN e candidato a governador, é um policial militar e ficou conhecido pela aplicação da lei seca e na defesa da militarização das escolas. Ele se coloca em oposição a atual governadora Fátima Bezerra (PT) e se projeta na campanha como um outsider, repetindo sua campanha de 2018. No entanto representa a cara mais velha e reacionária política do Rio grande do Norte, defende privatizações e ataques contra os trabalhadores e o povo pobre e votou a favor da reforma da previdência. Tem um histórico de ataques machistas, em transmissão de vídeo, sobre um caso de agressão de um policial contra vítima de violência doméstica no município de Santo Antônio, no interior potiguar, em que fez uma afirmação misógina “sei lá o que essa mulher fez para merecer os tapas”.

As últimas pesquisas para o governo do RN indicam as mesmas tendências das eleições presidenciais, porém com o capitão Styvenson em segundo lugar com cerca da metade dos votos de Fátima Bezerra, candidata de Lula para a reeleição. Styvenson não é uma alternativa para os trabalhadores e o povo pobre do Rio Grande do Norte, trata-se de uma variante da extrema-direita que surgiu com o golpe de 2016 como “proposta de nova política”. Na realidade, foi aliado em série de políticas do bolsonaristas e favoráveis às velhas oligarquias e capitalistas que mandam e desmandam na política desde sempre. Listamos aqui alguns motivos para não votar neste candidato, e além disso, a necessidade de organizarmos para enfrentar as suas políticas:

1. Se diz independente, mas está alinhado com os ataques de Bolsonaro

Capitão Styvenson (PODE) foi eleito ao senado em 2018, então pela Rede, com o discurso contra a “velha política”. Assim como Bolsonaro, também defende a militarização das escolas, se diz independente e que não apoia Bolsonaro, no entanto, está alinhado com este governo reacionário, afirmou em entrevista a InterTV Cabugi, que votou a favor de 83% dos projetos do governo federal no senado. Dentre eles estão uma série de medidas que descarregam a crise nos trabalhadores para salvar os lucros dos grandes empresários que sempre mandaram na política: a reforma da previdência e o marco regulatório que privatiza o saneamento básico. Cara “nova” para a mesma política de ataques à população.

2. Defende Privatizações

Ele é a favor da Privatização da companhia de água e esgoto do RN (Caern), empresa pública responsável pela distribuição, fornecimento e tratamento de água e saneamento básico no estado, colocando a serviço do interesse de lucro de capitalistas, a exemplo da Cedae no Rio de Janeiro pelo governador Cláudio Castro junto a Bolsonaro. A empresa sofre com o sucateamento governo após governo, que é usado como justificativa para a privatização como faz Styvenson, além de contar com a terceirização em vários setores, que precariza o trabalho. Além disso, também defende abertura para gestão privada de importantes pontos públicos em parcerias público-privada como o Cajueiro de Pirangi e o Museu da Rampa. A entrega de serviços públicos a empresários significa um ataque.

3. Violência de gênero e apoio à polícia

Em entrevista ao RN TV, o Senador fez uma série de demagogia em relação a violência de gênero. Se trata do Senador que, no caso de uma empregada doméstica que apanhou de um PM que ela mesma havia acionado contra uma ameaça de violência doméstica, deu a seguinte declaração: “Sei lá o que essa mulher fez para merecer os tapas”. É um misógino de extrema-direita, que fala que a solução para as mulheres é mais polícia para atender os casos de violência e “mudança na cultura”, denunciando o funk e o álcool como responsáveis pela violência. Assim como ataca parlamentares mulheres.

No RN, desde a pandemia se observa uma subnotificação dos casos de violência, sem dados atualizados para este ano. Ainda assim, entre 2020 e 2021 foi registrado um aumento de 44,3% dos casos de violência contra as mulheres. Só nos casos de feminicídio, entre 2022 e 2021, o aumento foi de 25% segundo a Coine/Sesed. A violência de gênero é um dos últimos elos de uma longa cadeia de opressão às mulheres, que como vimos Styvenson é um dos seus legitimadores mais nojentos. O machismo casou-se perfeitamente com o capitalismo, que se utiliza da opressão para pagar menores salários e condenar a maioria das mulheres em piores postos de trabalho, e para reproduzir as condições de trabalho através de um trabalho doméstico não pago. Recatadas e do lar, é isso que o capitalismo espera. O Estado é quem garante que essa opressão se mantenha, por isso é incapaz, sobretudo através da polícia, dar uma resposta às mulheres trabalhadoras.

Apenas a mobilização independente de mulheres, como fizeram as Argentinas que arrancaram o direito ao aborto, e agora fazem as mulheres no Irã junto aos trabalhadores contra o assassinato de uma mulher pela polícia do Estado Islâmico, é que pode dar uma resposta a essa opressão. Se enfrentando com misóginos como Bolsonaro, mas também Styvenson, a extrema-direita em todas as suas feições, junto com a direita, a polícia, a justiça, é que é possível impor um plano de emergência de combate à violência. Construção de casas abrigo, auxílio de um salário mínimo segundo o DIEESE, liberação remunerada do trabalho, equipes especializadas de acolhimento e prevenção, custeadas pelo fim da PEC do Teto de gastos e o não pagamento da dívida. Que esteja associado a medidas de combate à precarização do trabalho e da vida, exigindo a revogação da reforma trabalhista e o fim da terceirização do trabalho com a incorporação de todos os terceirizados ao quadro efetivo de funcionários, lutando pela igualdade de direito e salário entre todos os trabalhadores, homens e mulheres.

4. Militarização das escolas e lobby das universidades privadas

Styvenson é defensor aberto da expansão de colégios militares por todo o Estado, se reivindicando orgulhoso pelo envio de 600 mil reais em emenda para criar uma escola desse tipo em Nísia Floresta. Uma política reacionária que busca disciplinar à mão de ferro a juventude, reprimindo fisicamente se necessário, para garantir uma formação voltada exclusivamente ao mercado de trabalho, podando todo tipo de pensamento crítico, inclusive contra a precariedade do sistema de ensino. Um modelo que reprime toda livre expressão política, de gênero e sexualidade, calhando perfeitamente com a proposta de Styvenson de proibir a “ideologia de gênero” nas escolas. Faz demagogia nas entrevistas como quem quer dialogar com a comunidade LGBT, defendendo o absurdo de "sob quatro paredes", faça o que quiser. É parte da mesma extrema-direita que quer devolver a juventude para o armário, que "aceita" as LGBTs sob essa condição, e que as escolas militares sejam agentes disso.

Nessas escolas raspam o cabelo para minar inclusive a identidade negra da juventude, e toda forma de expressão da individualidade dos alunos. A hierarquia que Styvenson tanto diz ser pedagógico, provou sua cara no Rio Grande do Sul quando uma série de alunas passaram a denunciar casos de assédio por parte de um professor, blindado por parte da direção da escola. Se trata de uma medida que passa a ter bastante peso sobretudo após uma série de lutas travadas por secundaristas, como as ocupações de escola em 2015 e 2016 contra a reforma do ensino médio e a PEC do teto de gastos, ambas defendidas por Styvenson.

Além disso, o Senador teve como um dos seus projetos no Senado uma medida que foi vista como lobby das empresas privadas de ensino superior. Uma proposta que autorizava o uso do saque do FGTS para pagar curso de nível superior. Na época, Styvenson era casado com Candysse Figueiredo, reitora da UniFacex, cujo pai é dono, além de ser parte da ANUP (Associação Nacional das Universidades Privadas). Ele que se diz tanto contra as oligarquias e seus interesses familiares na política mostrava aí mais uma vez que, além de uma política que lucra em cima da juventude que quer ter acesso ao ensino superior, fazia isso em benefício de casamento.

5. É a favor da guerra às drogas que criminaliza e assassina o povo pobre e negro

Dentre as políticas de repressão a juventude está a defesa do fortalecimento das polícias e da política de guerra às drogas, que apenas servem para assassinar, prender e reprimir a juventude negra nas favelas e periferias. É isso que vemos a cada operação policial no Rio de Janeiro, como a de Jacarezinho, e tantas outras que levaram a mortes como a de Agatha Félix, João Pedro, Kethlen, Cláudia Ferreira, e tantas outras. Uma política que o bolsonarismo, como o de Claudio Castro, potencializou ainda mais, e Styvenson é parte de defender. No RN foi responsável pela morte de Geovane Gabriel em 2020, durante a pandemia, pela PM de Fátima Bezerra.

O Senador foi relator de uma proposta de Omar Aziz que busca alterar a política de drogas para que seja mais repressiva, defendendo impor internação compulsória de dependentes com autorização médica, que fortalece as chamadas “comunidades terapêuticas”. São instituições de cunho privado, geralmente vinculados às Igrejas, que impõem a religião associado à velhas práticas manicomiais, cujo uso se combina com a precarização do atendimento público.

Ao contrário, é preciso defender a legalização das drogas como parte de impulsionar o combate ao Estado lutando contra a repressão. E também ligar essa legalização com a necessidade de todo seu processo produtivo ser estatizado sob gestão da classe trabalhadora e controle popular, avançando na auto-organização para exercer a fiscalização, controle de qualidade e distribuição

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Diante do racismo e da misoginia de Bolsonaro e sua corja, com os ultraneoliberais de Paulo Guedes e os militares que querem arbitrar nas eleições, não há meias palavras. O mesmo vale para o capitão Styvenson. É preciso dar uma resposta contundente e de unidade da classe trabalhadora, com a juventude, os setores oprimidos e o povo pobre e exigir das centrais um plano de luta imediato com greves e manifestações, porque, tanto o bolsonarismo, como o conjunto da extrema-direita, vão continuar existindo depois das eleições. Para isso, as direções majoritárias do movimento de massas, em primeiro lugar as centrais sindicais como a CUT e a CTB, mas também dos movimentos sociais e cada um dos grandes sindicatos do país, precisam abandonar a política de trégua e organizar um plano de luta concreto contra todos os ataques, que inclusive Lula-Alckmin já promete não revogar, assim como Fátima implementou no RN.

Veja também: 5 pontos para uma posição de independência de classe diante das eleições no Brasil




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